Potencial invasor de tilápia (Oreochromis niloticus) em microbacias hidrográficas do Nordeste paraense, Amazônia, Brasil

Marcos Ferreira Brabo, MaxWendel Milhomem Costa, Daércio José de Macedo Ribeiro Paixão, Jhonatan Willians Pimentel Costa, Galileu Crovatto Veras

Resumo


Resumo: A criação de peixes não nativos em sistemas abertos é uma atividade ilegal no Estado do Pará
desde 2005, visto que o escape de espécimes para corpos d’água naturais pode promover impactos
ambientais negativos. Contudo, alguns piscicultores continuam com essa prática, alegando um melhor
retorno econômico em relação às espécies nativas, principalmente na produção de tilápia (Oreochromis
niloticus) em tanques-rede de pequeno volume. O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial invasor da
tilápia em microbacias hidrográficas da mesorregião Nordeste do Estado do Pará. A ferramenta analítica
Fish Invasiveness Screening Kit (FISK) foi utilizada para aferir o potencial invasor da espécie, sendo
preenchida com informações obtidas em revisão de literatura e entrevistas com piscicultores, extensionistas
rurais e pesquisadores. Este protocolo tem pontuação que varia de -11 a 54, onde valores menores do que
1 indicam baixo risco de invasão, valores entre 1 e 18,9 representam médio risco e valores maiores do que
19 indicam alto risco de invasão. A tilápia obteve pontuação 23, sendo classificada como uma espécie não
nativa de alto potencial invasor, em que o histórico invasor e os impactos da introdução foram os fatores
que mais contribuíram para essa categorização. Concluiu-se que, embora não exista população
estabelecida ou impactos ambientais negativos nas microbacias hidrográficas do Nordeste paraense
causados por Oreochromis niloticus, a espécie possui alto potencial invasor, o que respalda a legislação
aquícola estadual em vigor.
Palavras chave: Piscicultura, Espécies não nativas, Bioinvasão.


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