Espécies de abelhas sem ferrão (Apidae: Meliponini) em um fragmento urbano de Mata Atlântica secundária no Recôncavo da Bahia, Brasil

Marília Dantas e Silva, Michele dos Santos Ferreira, Mileide dos Santos Ferreira

Resumo


Resumo: As colônias dos Meliponini são perenes e a sobrevivência das mesmas depende do sucesso de reposição contínua da sua força de trabalho. Visto que as unidades reprodutivas das abelhas sem ferrão são as colônias sociais, o censo de ninhos gera estimativas mais adequadas do tamanho efetivo das populações. Além disso, a utilização de ninhos artificiais e o borrifo de mel e água podem complementar no diagnóstico da estrutura das comunidades ecológicas. O presente trabalho tem como objetivo analisar a abundância de Meliponini em um fragmento urbano de Mata Atlântica secundária no Recôncavo da Bahia, Brasil, e para isso foram utilizados três tipos de amostragens: censo de ninhos, armadilhas artificiais e borrifo de mel e água. Foram encontradas três colônias de Tetragonisca angustula Latreille, colonizando os ninhos artificiais e 39 ninhos no censo das colônias (4,7 ninhos/ha), representados por cinco gêneros de Meliponini. Esses ninhos foram localizados em substratos artificiais (31%) e árvores vivas (69%) sendo que Schinus terebinthifolia Raddi (aroeira) e Artocarpus heterophyllus Lam (jaqueira) as espécies com maior ocupação. Nas coletas com o borrifo de mel e água, quatro gêneros foram amostrados. A densidade de ninhos e abundância encontradas na área foram baixas, quando comparadas a outros estudos. Provavelmente estes resultados estão relacionados à qualidade do ambiente, com poucos locais adequados para nidificação, principalmente cavidades arbóreas. É possível verificar que entre as três técnicas utilizadas, o censo de ninhos e o borrifo foram mais adequados para a identificação da abundância dos meliponineos, presentes na área de estudo.

Palavras chave: Nidificação, Distribuição agregada, Ninhos artificiais.


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