Diversidade genética de mandiocas na região periurbana de Sinop, Mato Grosso, Brasil

Eulalia Soler Sobreira Hoogerheide, Poliana Elias Figueredo, Gessica Tais Zanetti, Auana Vicente Tiago, Joyce Mendes Andrade Pinto, Ana Aparecida Bandini Rossi

Resumo


Resumo: A mandioca (Manihot esculenta Crantz) é uma das culturas mais utilizadas na agricultura familiar, principalmente no Estado de Mato Grosso, considerado um dos centros de diversidade da espécie. Este estudo avaliou a origem, tempo de conservação e a diversidade genética de mandiocas coletadas na região periurbana de Sinop-MT. Foram identificadas 17 etnovariedades na Comunidade São Rafael. O tempo de conservação das etnovaridades pelos agricultores variaram de 1,5 a 10 anos. Quanto à procedência, são oriundas do próprio local ou de municípios da região. Os oito primers de ISSR utilizados para análise da diversidade genética amplificaram 57 locus com 80,7% de polimorfismo e uma média de 7,12 bandas por primer ISSR, indicando a existência de alta variabilidade genética entre as etnovariedades avaliadas. O Conteúdo de Informação Polimórfica PIC apresentou a média de 0,52. Os métodos de agrupamento de Tocher revelaram a formação de quatro grupos, e UPGMA a formação de três grupos. Ambos os métodos foram eficientes agrupando as mandiocas em grupos distintos mediante as procedências. O cultivo da mandioca em pequenas propriedades entorno das cidades possuem importante função na manutenção da diversidade da espécie, bem como na ampliação, visto que a troca de propágulos entre agricultores amplia a taxa de fluxo gênico, devido ao florescimento da mandioca na região. O aspecto social e cultural dos agricultores da região periurbana devem ser considerados em ações que venham a complementar a conservação dos recursos genéticos da espécie.

Palavras chave: Agricultura familiar, Conservação on farm, Agricultura urbana.


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